28 de janeiro, dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. No Piauí um evento foi antecipado e durante toda esta sexta-feira (27), na Praça da Liberdade, será realizado o dia de mobilização para a erradicação do trabalho escravo, com palestras e uma exposição fotográfica lembrando a situação degradante vivida por centenas de trabalhadores rurais do estado durantes os últimos quinze anos.

A ação é realizada pela Secretaria Estadual da Assistência Social e Cidadania (Sasc) eo Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, uma entidade Interinstitucional formada por entidades civis, governamentais e ministérios públicos.
De acordo com o fiscal do Ministério do Trabalho no Piauí, Alex Muller, De 2004 a 2011 cerca de 25 ações foram realizadas resultando no resgate de 580 trabalhadores. Alex esclareceu que além de exportar, o Piauí também escraviza os trabalhadores.
Dez estabelecimentos entraram na chamada “Lista suja do trabalho escravo” criada pelo Fórum de combate, por se utilizar deste tipo de serviço. São eles: Fazenda Boqueirão da Tocaia, em Corrente; Fazenda Califórnia, em Antônio de Almeida; Construtora Almeida Sousa Ltda, em Teresina; Fazenda Serra Negra; Construtora Lima e Cerávolo Ltda, em Corrente; Fazenda Boi Gordo, em Morro Cabeça do Tempo; Indústria, Comércio e Representações Família Betel Ltda, em Parnaguá; Fazenda Alegria, em Antônio Almeida; Fazenda Borda, em Monte Alegre e Perímetro Irrigado, em Alvorada do Gurguéia.
A Justiça do Trabalho esclareceu ainda que o Piauí continua sendo um dos maiores exportadores de mão de obra escrava no Brasil em decorrência da escassez de oportunidade no mercado de trabalho para que não possui a qualificação.
“Pela falta de condição e qualificação exigida, os trabalhadores acabam ludibriados pelos aliciadores e são sujeitos a trabalhar em situação precária sem os direitos necessários. Mas quando chegam nestes locais acabam sendo surpreendidos pelo autoritarismo, a dominação e acabam sendo tratados como coisas ” disse Alex.
No Brasil, o trabalho rural ainda é o que mais escraviza seus trabalhadores. Isso acontece nos setor da pecuária, nas plantações de milho, cana-de-açúcar. As carvoarias também se utilizam muito desta prática.
Para a coordenadora de Enfrentamento ao Trabalho Escravo da Sasc, Graça Silva, a ação realizada hoje tem como objetivo esclarecer os trabalhadores sobre seus direitos.
“Além de mostrar à população a realidade de muitos trabalhadores piauienses essa ação serve para conscientizar estes trabalhadores sobre os seus direitos, principalmente no que diz respeito à contratação e salários, além de benéficos como moradia e alimentação” disse a coordenadora.